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A modernidade líquida destrói

  • Foto do escritor: Michelle Garcia
    Michelle Garcia
  • 2 de mai. de 2021
  • 2 min de leitura

Tinta colorida em tela
Foto: Unsplash


Desligue seu celular. Não se trata apenas de reconhecer os sinais e saber se ele ou ela tinha algum tipo de doença mental. Trata-se de falar abertamente de algo que, nos últimos anos, tem estado nos pensamentos de mais da metade da população que compreende a faixa etária abrangente dos 10 aos 19 anos, segundo o Mapa da Violência do Brasil. Logo surge o questionamento: Em meio à evolução da tecnologia, onde vários recursos preventivos estão cada vez mais acessíveis a todos e todas, por que há tantos jovens abrindo mão de suas próprias vidas?


Tendo em consideração a banalização do sentimento que é facilmente encontrada por redes sociais afora, onde a felicidade é tida como um objeto de desejo que pode ser facilmente adquirido em uma loja, não sendo permitido sentir tristeza, ansiedade ou qualquer outro espectro da emoção humana que envolva energia negativa. E com isso vem a culpa por não estar feliz como todo mundo. Um fator que merece destaque é a romantização de doenças mentais e até mesmo do próprio suicídio como algo bonito e glamoroso; sendo de forma constante bombardeados com uma ideia distorcida que se dissemina muito mais rápido nesses tempos corridos de internet. Um(a) jovem estereotipado(a), como a mídia costuma erroneamente vender, é isento de medos, inseguranças e ansiedades e não carrega consigo as preocupações de um futuro possivelmente distópico.


Porém o que realmente preocupa é o visível descaso das autoridades médicas, psicólogos e psiquiatras, das escolas e principalmente do governo que julgam necessário falar sobre esse assunto apenas quando alguém próximo à esses jovens morre de uma tão brutal e trágica. É uma questão de interesse público. É preciso falar sobre isso até que não seja mais um tabu. Pois a sensacionalização midiática do suicídio tem se tornado o principal gatilho para milhares de jovens que já vinham tido em mente que tudo pode ser resolvido com violência em uma era onde é muito mais fácil se desconectar do que se conectar – de forma verdadeira e não superficial – com alguém. A modernidade líquida destrói. E com o andar da carruagem, pode destruir muito mais caso esses pais, responsáveis e principalmente os jovens não forem devidamente alertados a respeito desse “tabu” que pode levar uma geração inteira a não saber o que será do dia de amanhã.

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