Central: O poder das facções mostra a realidade de um piores presídios do Brasil
- José Taborda

- 2 de mai. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 7 de jun. de 2021
Central é um documentário dirigido por Tatiana Sager e Renato Dorneles, que tem como cenário o Presídio Central de Porto Alegre. Central mostra a realidade daquele que foi considerado o pior presídio do Brasil. Um conjunto de edifícios depredados em ruínas onde são recolhidos cerca de quatro mil e quinhentos detentos, onde a capacidade é para um mil e novecentos, distribuídos em varias galerias que são controladas por seis facções inimigas. Devido às condições degradantes, físicas e sanitárias do presídio, foi imposta uma gestão para controlar a superlotação, que foi deixá-los de fora das celas, soltos nas galerias, administradas por eles mesmos.
Os diretores do filme entregaram uma câmera nas mãos dos detentos, que com liberdade foram encarregados de fazer as filmagens dentro das galerias. Foram ouvidos vários detentos e também seus familiares nos dias de visitas. O documentário vai revelando que tudo na casa de detenção que envolve dinheiro, alimentos, produtos de higiene e visitas, faz do Presídio Central um grande negócio para as facções que lucram e sustentam a violência e o crime organizado. Os familiares são obrigados a pagar para as facções de R$ 50 a R$ 200 por semana para manter o preso seguro na galeria. Os chefes das facções chegam movimentar até R$ 40 mil por semana, e muitos detentos assumem dívidas que devem ser pagas quando saem para o regime semiaberto, o que ocasiona o aumento da violência nas ruas.
Foram entrevistados também representantes do poder judiciário e oficiais da Brigada Militar, que hoje são responsáveis pela segurança e controle do presídio, e que revelaram o perfil dos detentos, onde 68% são analfabetos, 67% está na faixa etária entre 18 e 24 anos, 33% são negros em que 16% da população gaúcha é negra, ou seja, há o dobro de detentos negros no Central e menos de 10% cometeu homicídio, crime considerado o mais grave.
O documentário deixa clara a omissão do estado, que não tem a preocupação de que, esse sistema carcerário, por ser mais econômico, vira uma escola do crime, que não tem o compromisso da reabilitação e a inclusão do apenado na sociedade, onde o encarceramento em massa, especificamente de negros e pobres, mostra que a punição esta voltada para as camadas mais vulneráveis.
Prêmios e festivais:
Prêmio de finalização FAC-RS 2014
Seleção Oficial Festin Lisboa 2016 e prêmio de melhor Documentário de Língua Portuguesa
Seleção Oficial DocMontevideo Uruguay 2016
Seleção Oficial do Florianópolis Audiovisual do Mercosul 2016
Seleção Oficial Festival do Rio 2016
Seleção Oficial do Festival Agenda Brasil em Milão 2017
Seleção Oficial no Barcelona Planet Film Festival 2017




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