Repórter da Zero Hora vê o jornalismo como uma miscelânea de conhecimento
- Pedro Oliveira

- 2 de mai. de 2021
- 3 min de leitura

No dia 28/10/2020, os alunos da disciplina de “Redação Jornalística I” assistiram a palestra do jornalista Fábio Schaffner. A presença de Fábio deixou os alunos entusiasmados, já que ele contou diversas histórias de sua carreira. O comunicador também emitiu sua opinião sobre assuntos polêmicos, como a importância da faculdade de jornalismo, fake news e a necessidade de se escrever bons textos.
Natural de Bagé, Fábio Schaffner é repórter do jornal Zero Hora, tem 46 anos e já conta com 24 temporadas de profissão. Desses anos trabalhados, 18 deles foram na RBS. Na emissora, Fábio já foi editor, chefe de reportagem, coordenador de produção e fora dela já coordenou assessoria de imprensa de deputado e de partido político. Mesmo com tanta experiência, é como repórter que ele mais gosta de atuar, porque tem paixão por escutar as pessoas e em realizar reportagens de impacto imediato ou reportagens mais sensíveis: “Gosto de fazer matérias que contem histórias interessantes, bonitas e diferentes” - disse o jornalista. Fábio tem no seu currículo anos como correspondente em Bagé, Pelotas e também em Brasília. Hoje seu trabalho consiste em cobertura política e eleitoral.
O repórter começou a carreira na comunicação em sua cidade natal, onde também fez graduação em jornalismo. No segundo semestre da faculdade, em 1995, Fábio conseguiu estágio em um jornal local. Na profissão há tanto tempo, o comunicador salientou a importância do diploma de jornalista, que serve como um selo de autenticidade para enfrentar um mercado que cada vez mais tem “aventureiros e picaretas”, além de ser muito instável. O repórter vê uma grande importância em fazer o curso, mas acha que a experiência do trabalho no dia a dia é que forma um verdadeiro jornalista:
"A faculdade não vai te preparar 100%, porque o jornalismo é uma miscelânea de conhecimento."
Falando sobre notícias e textos, Fábio acredita que o diferencial é a forma como a história será contada, já que hoje com a instantaneidade é muito difícil conseguir uma notícia que "fure" a dos outros.
Outra tese do comunicador é a de que um texto ruim é resultado de uma apuração ruim, visto que o jornalista precisa ir atrás dos fatos para publicá-los. Fábio embasou o seu comentário relembrando fatos jornalísticos, como a maior notícia da história da comunicação, feita pelo repórter John Hersey para a revista New Yorker, que levou um ano para ser publicada. Mesmo que a apuração tenha que ser grande, para ele não importa o tamanho e sim o jeito que a história é contada em um texto, já que este é o ponto para torná-la interessante:
“Tem quinhentas mil coisas, como Netflix por exemplo. O que vai fazer o leitor parar para ler uma matéria por duas horas ou meia hora? Temos que pensar nisso”, contou Schaffner.
É importante também realizar reportagens instigantes, que irão fazer o leitor ir até o final. Seguindo na linha dos textos, o repórter vê como a maior onda da literatura gaúcha atual as obras que são baseadas em pesquisa.
Nos tempos de hoje, o jornalismo enfrenta uma grande presença de falsos jornalistas ou pessoas que estão no meio da profissão, mas não são formadas. Para Fábio, a crise da pandemia nas grandes redações fez com que muitas pessoas fossem demitidas e isso prejudicou as reportagens.
Fábio não deixou de contar uma história de 2003, quando recebeu um prêmio na Zero Hora. A história foi em Bagé, quando um carroceiro, ao circular por uma viela, teve a pata de seu cavalo machucada. Mesmo com sua esposa grávida em casa, o trabalhador passou a madrugada com o animal que estava à beira da morte:
“Cheguei na redação de noite e escrevi uma matéria muito rápida, mas fugindo do óbvio, do lugar comum, sem clichê. Escrevi tentando ser o cara mais original possível e essa matéria foi campeã de cartas no jornal daquele ano. Nenhuma outra gerou tanto engajamento dos leitores quanto essa. Em um dia, onze pessoas ofereceram um novo cavalo para o homem. Ou seja, não era o tamanho da matéria o importante, e sim a forma de contá-la”, disse o jornalista.
Por conta de sua autenticidade, a palestra foi muito bem recebida pelos alunos.


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